FDIC dá sinal verde para Ford e General Motors criarem seus próprios bancos
A Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) anunciou nesta quinta-feira a aprovação dos pedidos de seguro de depósito da Ford Motor Company e da General Motors, uma decisão que marca um novo capítulo para as gigantes automotivas. A medida abre caminho para que ambas estabeleçam bancos industriais e passem a oferecer serviços financeiros diretamente, expandindo suas atuações muito além da manufatura de veículos.
As aprovações concedidas são condicionais: as empresas têm um prazo de 12 meses para colocar suas operações de crédito de pé e torná-las funcionais. Segundo a FDIC, o aval foi dado após as companhias cumprirem todos os requisitos legais exigidos. Ambas as instituições financeiras terão sede no estado de Utah, um polo comum para esse tipo de licença bancária.
Estratégia de longo prazo e modelo digital
Para a Ford, o movimento não é apenas burocrático, mas parte de uma iniciativa estratégica robusta. A empresa planeja lançar um banco industrial em Salt Lake City, contando também com a aprovação do Departamento de Instituições Financeiras de Utah. Frank Stepan, nomeado presidente do banco, liderou a equipe durante o trâmite regulatório.
A montadora pretende utilizar a expertise adquirida com seus dois bancos já operantes na Europa. A nova instituição nos EUA nascerá com um perfil “digital-first” e, segundo comunicados da empresa, começará pequena para crescer gradualmente — uma trajetória comparada ao início da Ford Credit em 1959. O foco inicial será a captação de depósitos segurados para financiar operações, o que deve reduzir o custo de capital da empresa ao longo do tempo. Futuramente, o portfólio deve incluir certificados de depósito (CDBs) e financiamento automotivo indireto através da rede de concessionárias.
Já a General Motors tem mantido uma postura mais reservada. Um porta-voz da companhia não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário sobre a aprovação. No entanto, quando a GM submeteu sua última aplicação bancária em janeiro, indicou que o foco da nova instituição seria voltado para empréstimos automotivos e captação de depósitos.
Polêmica no setor bancário
A decisão da FDIC é o desenvolvimento mais recente em uma longa disputa entre grandes corporações comerciais e a indústria bancária tradicional. No centro do debate estão as chamadas “cartas de empréstimo industrial” (industrial loan charters).
Bancos tradicionais criticam veementemente esse modelo, argumentando que ele permite a empresas comerciais ingressar no setor bancário sem a devida supervisão. A principal queixa é que bancos operando sob cartas industriais não são obrigados a estabelecer holdings bancárias, o que os isenta da camada adicional de fiscalização exercida pelo Federal Reserve.
A Independent Community Bankers of America (ICBA) foi uma das vozes mais ativas contra as aplicações. Em 2022, a entidade argumentou que a proposta da Ford “contornaria a supervisão regulatória e violaria a política americana de longa data que separa bancos e comércio”.
Em contrapartida, os defensores do modelo — e a própria Ford — sustentam que essas instituições permitem oferecer serviços limitados e mais opções de economia aos clientes. A Ford enfatizou que bancos industriais são regulados com o mesmo rigor dos bancos comerciais tradicionais e devem compliance total às leis estaduais e federais de proteção ao consumidor.









